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Bexiga NeuroGênica e LME

Um Guia Abrangente

Perguntas frequentes sobre mudanças na bexiga após lesão da medula espinhal

1. O que é uma bexiga neurogênica e como ela difere de outros problemas de bexiga?

Uma bexiga neurogênica é uma disfunção da bexiga causada por danos nos nervos, cérebro ou medula espinhal. Após uma lesão da medula espinhal (LME), os sinais nervosos que normalmente permitem a comunicação entre o cérebro e a bexiga são interrompidos. Isso pode afetar o controle e a sensação da bexiga, resultando em sintomas que variam desde uma maior urgência até a perda total da sensação e do controle. É crucial notar que a bexiga neurogênica é distinta de outros problemas de bexiga relacionados ao envelhecimento ou aos músculos do assoalho pélvico, exigindo cuidados especializados.

2. Quais são os dois tipos principais de bexiga neurogênica após uma LME e como eles se manifestam?

Existem dois tipos principais de bexiga neurogênica após uma LME, dependendo do nível da lesão:

• Bexiga espástica (reflexa): Ocorre quando a lesão está acima de T12. Caracteriza-se pela hiperatividade do músculo da parede da bexiga (músculo detrusor), levando a contrações imprevisíveis e esvaziamento involuntário. Além disso, os músculos do esfíncter podem ser hiperativos e não se coordenar bem com o detrusor, resultando em alta pressão na bexiga e esvaziamento incompleto. Os sintomas incluem incontinência, micção reflexa e sensação reduzida.

• Bexiga flácida (não reflexa): Ocorre quando a lesão está abaixo de T12-L1 (lesão da cauda equina). Nesta condição, o músculo da parede da bexiga fica relaxado e não consegue se contrair para esvaziar a bexiga. Isso leva à incapacidade de esvaziar a bexiga completamente, causando retenção urinária. O esfíncter externo geralmente está relaxado, mas o esfíncter interno pode estar em espasmo. Os sintomas incluem incapacidade de esvaziar a bexiga, esvaziamento incompleto, refluxo de urina para os rins e perda ou redução total da sensação da bexiga.

3. Quais são as complicações comuns associadas às mudanças na bexiga após uma LME?

As pessoas com LME correm um risco aumentado de várias complicações relacionadas à bexiga:

• Infecções do trato urinário (ITUs): Infecções da bexiga e dos rins são um efeito colateral comum e podem ser graves se não tratadas, levando à sepse. Os sintomas podem incluir febre, calafrios, urina turva ou com mau cheiro, e aumento de espasmos musculares.

• Cálculos renais e vesicais: Partículas sólidas podem se formar nos rins ou na bexiga devido à alta concentração de minerais na urina e outros fatores. Podem causar dor, infecções frequentes e obstrução do fluxo urinário.

• Lesão e insuficiência renal: O manejo inadequado da bexiga, como o enchimento excessivo e a incapacidade de esvaziar a bexiga, pode levar a altas pressões na bexiga, causando refluxo de urina para os rins e danos permanentes. A insuficiência renal pode exigir diálise ou transplante de rim.

• Câncer de bexiga: O risco de câncer de bexiga é maior em pessoas que usam cateteres de demora.

• Outros problemas: Complicações da bexiga também podem exacerbar a espasticidade, desencadear episódios de disreflexia autonômica (em lesões acima de T6) e contribuir para irritação e ruptura da pele devido à umidade.

4. Como as mudanças na bexiga são diagnosticadas após uma LME?

O diagnóstico envolve principalmente um exame da bexiga que inclui:

• Histórico médico: Perguntas sobre sintomas, rotina da bexiga e tratamentos atuais.

• Diário urinário: Registro da frequência de esvaziamento, volume de urina e ingestão de líquidos.

• Exame físico: Avaliação das regiões abdominal, pélvica e genital, além de testes neurológicos de reflexos, força muscular e sensação.

• Medidas urodinâmicas: Avaliam a capacidade da bexiga, a eficácia do esvaziamento e a complacência da bexiga (capacidade de alongamento).

• Outros testes: Podem incluir cultura de urina para infecções, exames de sangue para função renal, ultrassom para visualizar rins e bexiga, exame urodinâmico para pressões e fluxo da bexiga, e técnicas de imagem como raios-X, TC e RM. A cistoscopia (uso de uma pequena câmera para visualizar o trato urinário) pode identificar cálculos ou problemas de saúde da bexiga.

5. Quais são as estratégias gerais para gerenciar as mudanças na bexiga após uma LME?

O manejo da bexiga após uma LME envolve o desenvolvimento de uma rotina regular e personalizada. Inicialmente, um cateter de demora é usado na fase aguda para drenagem e prevenção de infecções. A longo prazo, a rotina pode incluir:

• Cateteres: Cateterismo intermitente (inserção e remoção regulares), cateteres de demora (uretrais ou suprapúbicos) ou cateteres tipo preservativo (apenas para homens).

• Medicamentos: Anticolinérgicos para relaxar músculos hiperativos (bexiga espástica), alfa-bloqueadores para relaxar músculos do esfíncter (bexiga flácida).

• Injeções: Toxina botulínica (Botox) para relaxar os músculos da bexiga.

• Técnicas de estimulação: Micção reflexa (somente para bexiga espástica, com cautela), estimulação elétrica e acupuntura.

• Considerações adicionais: Horário e quantidade de ingestão de líquidos, consumo de cafeína e álcool, e um cronograma de esvaziamento da bexiga. É crucial o acompanhamento regular com a equipe de saúde.

6. Como a bexiga espástica é especificamente gerenciada?

Os objetivos do manejo da bexiga espástica são reduzir a hiperatividade do músculo da parede da bexiga, prevenir acidentes, vazamentos e altas pressões na bexiga. Os tratamentos podem incluir:

• Cateteres: Cateteres de demora, cateteres tipo preservativo e/ou cateterismo intermitente para drenar a urina.

• Medicamentos: Anticolinérgicos para relaxar os músculos da bexiga, capsaicina/resiniferatoxina e nociceptina/orfanina fenilalanina glutamina para aumentar a capacidade da bexiga e reduzir a frequência/vazamentos, baclofeno e clonidina para espasticidade geral. Inibidores da fosfodiesterase-5 (PDE5) podem reduzir a superatividade da bexiga.

• Injeções: Injeções de toxina botulínica (Botox) para relaxar os músculos da bexiga.

• Cirurgia: Cirurgia de aumento da bexiga para aumentar a capacidade de retenção de urina.

7. Como a bexiga flácida é especificamente gerenciada?

O manejo da bexiga flácida visa esvaziar a bexiga regularmente para prevenir o enchimento excessivo e o aumento da pressão, além de prevenir vazamentos. Os tratamentos podem incluir:

• Cateteres: Cateterismo intermitente ou cateteres de demora. Cateteres tipo preservativo ou bolsas podem ser usados para controlar vazamentos, mas não para esvaziar a bexiga.

• Medicamentos: Alfa-bloqueadores para ajudar a relaxar os músculos do esfíncter da bexiga.

• Injeções: Injeções de toxina botulínica (Botox).

• Técnicas cirúrgicas: Esfincterotomia (corte do músculo do esfíncter interno) ou stents uretrais para manter a abertura da bexiga.

• 4-aminopiridina (fampridina): Pode melhorar a transmissão de sinais nervosos, auxiliando na sensação e controle dos músculos do esfíncter para melhorar o esvaziamento.

8. Que tipos de cirurgias ou procedimentos são considerados para o manejo da bexiga quando outros tratamentos não são eficazes?

A cirurgia é geralmente considerada como último recurso:

• Procedimento de Mitrofanoff: Cria um canal entre o abdômen e a bexiga, usando o apêndice ou parte do intestino, para facilitar o cateterismo intermitente. Isso é particularmente útil para pessoas, especialmente mulheres, que têm dificuldade em realizar o cateterismo uretral.

• Aumento da bexiga (cistoplastia de aumento): A bexiga é ampliada com um segmento do intestino para aumentar sua capacidade e reduzir a pressão, prevenindo a incontinência relacionada à bexiga espástica.

• Esfincterotomia (para homens): O músculo do esfíncter interno é cortado para enfraquecê-lo e melhorar o esvaziamento da bexiga quando há dificuldade. Após este procedimento, é necessário usar um dispositivo de coleta, pois a bexiga esvaziará continuamente.

• Stents uretrais: Tubos protéticos de metal são inseridos na abertura da bexiga para mantê-la aberta, permitindo um melhor esvaziamento em casos de hiperatividade dos músculos do esfíncter.

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