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Autonomic Dysreflexia (Disreflexia Autonômica)



1. Introdução

A disreflexia autonômica (DA) é uma emergência médica típica de indivíduos com lesões medulares em T6 ou acima. A condição é caracterizada por uma resposta hipertensiva grave e desregulada a um estímulo abaixo da lesão. A interrupção das vias simpáticas inibe a modulação parassimpática, o que pode levar a complicações fatais se não tratada rapidamente.


🧠 2. Fisiopatologia

  • Estímulo nocivo abaixo da lesão (por ex.: bexiga cheia, intestino impactado) ativa vias simpáticas descendentes interrompidas.
  • vasoconstrição massiva abaixo da lesão, elevando dramaticamente a pressão arterial.
  • Os barorreceptores detectam a hipertensão e disparam resposta vagal acima da lesão → bradicardia, vasodilatação facial e sudorese.
  • Contudo, abaixo da lesão não há vasodilatação, perpetuando o ciclo hipertensivo.

🧩 3. Sinais e Sintomas

Sinais acima da lesãoSinais abaixo da lesão
Rubor facialPalidez
Sudorese intensaPele seca
Cefaleia pulsátilCalafrios
BradicardiaPiloereção
Congestão nasal

Outros sintomas: ansiedade, visão turva, náuseas, sensação de morte iminente.


🩺 4. Prevenção e Educação

A prevenção é baseada na educação de pacientes, cuidadores e profissionais de saúde para evitar ou rapidamente resolver estímulos desencadeantes. Abaixo os principais contextos e medidas específicas.

4.1. Prevenção durante cuidados urinários

  • Cateterismo intermitente deve ser asséptico, gentil e completo.
  • Evitar distensão vesical: esvaziar bexiga com frequência.
  • Verificar obstruções, dobras no tubo do cateter ou acúmulo de urina na bolsa coletora.
  • Em procedimentos como cistoscopia ou troca de cateter: pré-medicamento com anti-hipertensivos (ex.: nifedipina).

4.2. Prevenção durante cuidados intestinais

  • Evacuação deve ocorrer em ambiente controlado, com técnica correta.
  • Evitar toques retais bruscos ou prolongados.
  • Lubrificantes locais e agentes tróficos intestinais (óleos, supositórios) podem ajudar.
  • Monitorar tempo de resposta e interromper se sinais de DA surgirem.

4.3. Procedimentos médicos invasivos

  • Manipulação uretral, exames endoscópicos, cirurgias e anestesias espinhais podem induzir DA.
  • Premedicar com agentes anti-hipertensivos.
  • Monitoramento rigoroso da PA durante e após os procedimentos.
  • Informar toda a equipe sobre o risco de DA.

4.4. Gravidez e Parto

  • DA pode ocorrer durante contrações uterinas, trabalho de parto e até manobras obstétricas.
  • Recomenda-se parto com analgesia adequada (peridural ou raquidiana).
  • Monitoramento contínuo de PA durante o parto.
  • Avaliação pré-natal por equipe multidisciplinar experiente.

4.5. Durante Atividades Esportivas e FES

  • Estímulos elétricos (como FES – estimulação elétrica funcional) podem desencadear DA.
  • Iniciar com baixa intensidade.
  • Monitorar PA durante sessões.
  • Interromper imediatamente em caso de cefaleia, sudorese ou alterações de humor.

4.6. Estoma e Cuidados Dermatológicos

  • Troca de bolsas de urostomia e colostomia podem induzir disreflexia.
  • Realizar os procedimentos lentamente, com lubrificação adequada.
  • Tratar úlceras de pressão, queimaduras ou outras lesões cutâneas que possam ser gatilhos.

💊 5. Manejo Agudo da Crise de DA

5.1. Medidas imediatas

  1. Posicione o paciente sentado com as pernas para baixo (reduz retorno venoso).
  2. Afrouxe roupas apertadas, faixas, cintas ou calçados.
  3. Monitore a PA a cada 2 a 5 minutos.
  4. Investigue e remova estímulos:
    • Cateter bloqueado → substitua.
    • Evacuação → adie se necessário, ou trate com anestesia local.

5.2. Terapia farmacológica

Se a PA sistólica permanecer >150 mmHg após as medidas não farmacológicas:

  • Nifedipina sublingual (10 mg)
  • Nitroglicerina spray (0,4 mg)
  • Alternativas: Prazosina, Captopril, Fenoxibenzamina
  • Evitar betabloqueadores puros (ex: propranolol) em razão do risco de piora da bradicardia reflexa.

🧠 6. Disreflexia Induzida Intencionalmente – “Boosting”

Alguns atletas com lesão medular usam estímulos dolorosos (ex.: apertar o saco escrotal, prender os dedos dos pés) para induzir DA e aumentar a pressão arterial — o que melhora performance física por aumentar a perfusão muscular.

🔴 Prática extremamente perigosa e proibida por organizações como o Comitê Paralímpico Internacional. Pode causar:

  • AVC
  • Arritmias
  • Hemorragias
  • Morte súbita

🚨 7. Complicações Possíveis

  • Hemorragia cerebral
  • Infarto do miocárdio
  • Arritmias graves
  • Convulsões
  • Retinopatia hipertensiva
  • Morte súbita

✅ 8. Conclusão

  • A DA é uma condição potencialmente letal, mas amplamente evitável e tratável.
  • A educação, o monitoramento e o manejo rápido são a chave para prevenir complicações graves.
  • Toda pessoa com lesão acima de T6 e seus cuidadores devem ser capacitados para reconhecer e lidar com crises de disreflexia autonômica.

Se desejar, posso consolidar esse conteúdo em .txt ou PDF e avançar para o próximo módulo, como Bladder Management. Deseja que eu gere o arquivo primeiro ou prossiga com o próximo módulo?

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