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Perda de densidade óssea após lesão medular

Perda de densidade mineral óssea após lesão medular: como prevenir o invisível

Introdução

Imagine uma estrutura que continua presente no seu corpo, mas vai se esvaziando por dentro sem fazer barulho. É exatamente isso que pode acontecer com os ossos após uma lesão medular — especialmente se ninguém te explica que a densidade mineral óssea vai embora mais rápido do que parece.

Perder força muscular, sensibilidade e autonomia já seria difícil o suficiente. Mas junto com tudo isso, está acontecendo um processo silencioso que deixa ossos longos, como fêmur e tíbia, cada vez mais frágeis. Quando você repara, o primeiro tombo vira fratura… e o medo aparece.

Esse texto é pra quem quer entender mais profundamente o que está em jogo — seja você um profissional de saúde, um paciente vivendo a lesão ou um familiar que quer ajudar.

Implicações na Independência

A perda acelerada de densidade óssea após uma lesão na medula espinhal não é apenas um número estranho no exame de densitometria.

Ela impacta diretamente a autonomia da pessoa:

  • Dificulta processos de reabilitação, como se levantar, se apoiar, ficar de pé ou fazer transferência.
  • Aumenta drasticamente o risco de fraturas espontâneas ou após pequenas batidas.
  • Limita atividades cotidianas por medo — medo real — de quebrar algum osso em situações corriqueiras.
  • Interfere nos treinos de suporte de peso, na FES (estimulação elétrica funcional) e no uso de orteses.

Os ossos, assim como os músculos, precisam de estímulo. E quem sofreu uma lesão medular precisa encontrar outros caminhos pra provocar esse estímulo de maneira segura e eficaz.

O que devo fazer?

Antes de mais nada, ser informado. Saber que a perda óssea é frequente em lesões medulares — especialmente nas traumáticas e completas — já ajuda a agir cedo.

Depois disso, começa a estratégia. Aqui vão algumas possibilidades reais e acessíveis:

  • Densitometria periódica: para acompanhar a perda óssea nas regiões mais críticas (geralmente colo do fêmur, tíbia e calcâneo).
  • Planejamento nutricional: ingestão adequada de cálcio, vitamina D e proteínas, supervisionado por um nutricionista que entenda do assunto.
  • Estimulação elétrica funcional (FES): usada em protocolos que envolvem bicicleta ergométrica, tem mostrado efeito positivo na manutenção da massa óssea.
  • Suporte de peso em pé: recurso fundamental. Seja com talas, orteses, pé estático ou em equipamento próprio, o estímulo vertical ajuda ossos a lembrarem que são necessários.
  • Medicações: em casos em que há risco alto de fratura, podem ser indicados bifosfonatos. Mas isso depende de avaliação médica cuidadosa.

Um osso parado é um osso que começa a desaparecer.

O que diz a Literatura?

Não estamos inventando moda. A perda da densidade mineral óssea em pessoas com lesão medular é um fenômeno bem documentado na literatura científica.

Modelos mostram que nas primeiras 6 a 12 semanas após a lesão já começa um processo de reabsorção óssea, especialmente nas áreas que deixam de receber carga. A taxa de perda nos primeiros dois anos pode chegar a 50% de massa óssea em determinados locais, como tíbia proximal e fêmur distal.

A explicação é biomédica, mas direta: ossos são estruturas vivas que se adaptam ao uso. Menos carga = menos osso. E na ausência de movimento funcional, a perda vem rápida e profunda. Em pouco tempo, o risco de fraturas espontâneas vira uma realidade clínica.

O pior? Muitas vezes essas fraturas acontecem sem que o paciente perceba — já que boa parte tem sensibilidade reduzida.

Essas informações e muitas outras estão na sessão Evidências do site Além da Lesão, onde estudos sobre saúde óssea, FES, ortopedia e neurociência aplicadas à LME são apresentados de forma objetiva e confiável.

Complicações

Uma fratura numa pessoa com lesão medular nunca é só uma fratura.

Elas geralmente vêm com um combo:

  • Período de imobilização (às vezes longo demais)
  • Aumento de risco para úlceras de pressão
  • Infecções urinárias e respiratórias pela imobilidade
  • Diminuição do moral e da reabilitação

Em alguns casos, a fratura pode desencadear disreflexia autonômica, o que coloca ainda mais risco para quem vive com lesão medular acima de T6. Ou seja, o osso que quebra também pode afetar o coração, a pressão, o intestino. Nada é isolado.

O que ninguém te contou

Muitas vezes, os profissionais focam tanto em reabilitação motora e controle esfíncter que esquecem: os ossos da pessoa estão mudando. E rápido.

  • Ninguém avisa direitos garantidos pelo SUS, como pedidos para densitometrias com critérios claros.
  • Não se fala sobre a possibilidade (real) de reversão parcial da perda óssea com estímulos regulares, mesmo anos após a lesão.
  • Esquecem de ensinar movimentos e posturas seguras para minimizar impacto e carga fraturante nas áreas de risco.

Poucos também falam da importância da subjetividade. Uma fratura pode significar o retorno a longos períodos de hospital, de dor, medo e, pior, interrupção dos projetos que já estavam em curso — como estudar, voltar ao trabalho ou treinar.

O que está em jogo vai muito além dos ossos: é o seu projeto de vida.

Conclusão

É possível, sim, lidar com a perda de densidade óssea após lesão medular. Mas é preciso antecipar ao problema, não aparecer só na urgência. Com os estímulos certos, estratégias nutricionais, apoio clínico especializado e informação de qualidade, dá pra manter os ossos mais fortes e a vida mais estável.

E aí, você já sabia disso tudo? Compartilhe com quem precisa. E se quiser aprofundar, conhecer produtos que auxiliam na autonomia e materiais acessíveis à realidade de quem vive com LME, dá uma passada na Loja do Além da Lesão. Tem muita coisa feita por quem vive e entende.

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