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Entendendo a Disreflexia Autonômica na Lesão Medular

Entendendo a Disreflexia Autonômica na Lesão Medular

Imagine um sistema nervoso em curto-circuito, enviando sinais confusos e desencadeando uma tempestade dentro do seu corpo. Para quem vive com lesão medular (LM), especialmente acima de T6, essa tempestade tem nome: Disreflexia Autonômica (DA). Uma emergência médica silenciosa que, se ignorada, pode trazer consequências devastadoras. Este artigo é um guia essencial para pacientes, cuidadores e profissionais de saúde que buscam entender, prevenir e gerenciar a DA, empoderando você com o conhecimento necessário para navegar por esse desafio e viver uma vida plena após a lesão medular.

A vida não acaba com a lesão medular, mas exige que a gente se adapte e aprenda a lidar com novas realidades. A DA é uma delas. E, acredite, entender seu funcionamento é o primeiro passo para controlá-la e evitar que ela te controle. Não se trata apenas de sobrevivência, mas de viver com qualidade, sem medo das crises e com a confiança de que você está no comando.

Introdução à Disreflexia Autonômica

A Disreflexia Autonômica (DA) é uma reação exagerada do sistema nervoso autônomo, aquele que controla funções como pressão arterial, temperatura corporal e frequência cardíaca. Após uma lesão medular, a comunicação entre o cérebro e o corpo pode ser interrompida. Assim, estímulos que normalmente seriam inofensivos, como uma bexiga cheia ou uma roupa apertada, disparam um alarme no sistema nervoso, resultando em um aumento repentino e perigoso da pressão arterial.

Implicações na Independência

A DA pode impactar significativamente a independência de uma pessoa com LM. O medo constante de uma crise pode limitar a participação em atividades sociais, profissionais e até mesmo rotineiras. Por isso, entender os gatilhos e saber como agir em uma emergência é fundamental para recuperar o controle e viver com mais segurança e liberdade. Quer saber mais sobre independência? Visite nossa página sobre lesão medular: https://alemdalesao.com.br/sobre-a-lesao-medular/.

Identificando os Sinais de Alerta

A DA pode se manifestar de forma sutil ou intensa. Reconhecer os sinais precocemente é crucial para evitar complicações graves. Fique atento a:

  • Cefaleia latejante: Uma dor de cabeça intensa e pulsátil, muitas vezes o primeiro sinal de alerta.
  • Sudorese excessiva: Principalmente acima do nível da lesão.
  • Rubor na pele: Vermelhidão no rosto, pescoço e peito.
  • Arrepios: Sensação de frio e pelos eriçados, também acima da lesão.
  • Ansiedade e desconforto: Uma sensação de apreensão ou mal-estar generalizado.
  • Alterações na visão: Visão turva, pontos brilhantes ou visão dupla.
  • Congestão nasal: Nariz entupido sem causa aparente.
  • Náuseas: Enjoo e vontade de vomitar.
  • Dificuldade para respirar: Sensação de aperto no peito.

É importante lembrar que nem todos os sintomas aparecem em todos os casos. A intensidade também pode variar. Qualquer sinal de alerta deve ser levado a sério.

O que devo fazer?

Ao primeiro sinal de DA, aja rapidamente! Siga estas etapas:

  1. Sente-se ou levante-se: A gravidade pode ajudar a reduzir a pressão arterial.
  2. Afrouxe roupas apertadas: Qualquer restrição pode piorar a situação.
  3. Verifique a pressão arterial: Monitore a cada 3-5 minutos.
  4. Identifique o gatilho: Bexiga cheia? Intestino preso? Roupa apertada? Ferida na pele?
  5. Remova o gatilho: Cateterize a bexiga, verifique o intestino, ajuste a roupa, examine a pele.
  6. Procure ajuda médica: Se a pressão não baixar ou os sintomas persistirem, ligue para a emergência.

Prevenção: O Melhor Remédio

A melhor maneira de lidar com a DA é preveni-la. Isso envolve entender seus gatilhos pessoais e adotar estratégias para minimizá-los. Algumas medidas incluem:

  • Esvaziamento regular da bexiga: Cateterismo intermitente ou uso de sonda de demora.
  • Manutenção da saúde intestinal: Dieta rica em fibras, ingestão adequada de líquidos e rotina regular para evacuar.
  • Cuidado com a pele: Inspecione diariamente a pele em busca de feridas, irritações ou unhas encravadas.
  • Atenção às roupas e acessórios: Evite roupas apertadas, meias com elástico forte e sapatos desconfortáveis.
  • Comunicação com a equipe médica: Informe seu médico sobre qualquer sinal ou sintoma suspeito.

A prevenção também envolve a conscientização da equipe médica e dos cuidadores. Procedimentos médicos, como cirurgias e exames, podem desencadear a DA. É fundamental que os profissionais estejam preparados para lidar com a situação e tomar as medidas necessárias para proteger o paciente. Informações como essa você encontra na Sessão Evidências do Além da Lesão.

O que diz a Literatura?

A disreflexia autonômica (DA) é uma emergência clínica potencialmente fatal que pode ocorrer em indivíduos com lesão medular (LM), comumente naqueles com lesão no nível T6 ou acima. Um episódio de DA é geralmente caracterizado por uma elevação aguda da pressão arterial (PA) e bradicardia (frequência cardíaca lenta), que pode ser substituída por taquicardia (frequência cardíaca rápida). Objetivamente, um aumento na PA sistólica maior que 20-30 mmHg é considerado um episódio disrefléxico.

A intensidade da DA pode variar de assintomática a leve desconforto e cefaleia, até uma emergência com risco de vida, onde a PA sistólica pode chegar a 300 mmHg e os sintomas podem ser graves. Episódios não tratados de DA podem ter consequências graves, incluindo hemorragia intracraniana, complicações cardíacas, descolamento de retina, convulsões e morte.

Fisiopatologia da Disreflexia Autonômica

A DA é causada por uma resposta simpática generalizada desencadeada por estímulos nocivos ou não nocivos abaixo do nível da lesão. Os episódios de DA são geralmente de curta duração, seja devido ao tratamento ou por serem autolimitados. No entanto, há relatos de DA desencadeada por um estímulo específico que continuou presente por dias ou até semanas. A DA é mais comumente desencadeada por problemas na bexiga urinária ou irritação do cólon. No entanto, muitas outras causas foram relatadas na literatura.

Sinais e Sintomas da Disreflexia Autonômica

O principal sinal de disreflexia autonômica é um aumento repentino da pressão arterial. Outros sinais e sintomas podem incluir: cefaleia latejante ou pulsátil intensa; sudorese profusa; rubor ou manchas vermelhas na pele acima do nível da lesão; arrepios ou pelos eriçados acima do nível da lesão; pele seca e pálida abaixo do nível da lesão; aumento do número e gravidade de espasmos musculares; gosto metálico na boca; sensação de ansiedade ou sensação de morte iminente; congestão nasal; visão turva; ver pontos brilhantes; náusea; dificuldade para respirar ou sensação de aperto no peito.

Prevenção da Disreflexia Autonômica

A abordagem mais eficaz para a DA é a prevenção da ocorrência. Isto inclui uma avaliação cuidadosa do indivíduo e o reconhecimento precoce de possíveis gatilhos que podem resultar em DA. O aumento da conscientização dos profissionais de saúde e maior atenção à necessidade de eliminar estímulos nocivos em indivíduos com LM é uma prioridade. Além disso, médicos, familiares e cuidadores devem estar cientes de que o aumento da estimulação aferente (por exemplo, por meio de cirurgia, procedimentos investigacionais invasivos, trabalho de parto e parto) em pessoas com LM aumentará o risco de desenvolver DA. Felizmente, uma variedade de procedimentos e medicamentos podem ser usados para prevenir episódios de DA.

Estratégias de Prevenção:

  • Durante Procedimentos da Bexiga: Toxina botulínica, capsaicina intravesical, antimuscarínicos, denervação sacral e cirurgia da bexiga ou do esfíncter uretral.
  • Durante Procedimentos Anorretais: Bloqueio anal com lidocaína, lidocaína tópica.
  • Durante a Gravidez e Trabalho de Parto: Anestesia adequada (raquidiana ou peridural, se possível).
  • Durante Cirurgia Geral: Anestesia (geral ou raquidiana).
  • Durante Exercícios com EENM: Anestésico tópico (não se mostrou eficaz).
  • Com Estomia: A cirurgia de estomia pode reduzir a DA associada ao manejo intestinal.
  • Em Cuidados Agudos: Descompressão cirúrgica precoce após LM aguda.

Manejo de Episódios Agudos de DA

Quando a DA se desenvolve, o manejo inicial de um episódio envolve colocar o paciente em uma posição vertical para aproveitar a redução ortostática da pressão arterial e afrouxar qualquer roupa apertada. A PA deve ser verificada a cada 3-5 minutos. Em seguida, é necessário procurar e eliminar o estímulo precipitante, que em 85% dos casos pode estar relacionado à distensão da bexiga ou impactação intestinal. Se o cateterismo vesical ou a desimpactação intestinal não forem necessários, um exame físico procurando por pontos de pressão, úlceras ou unhas encravadas deve ser realizado. O uso de medicamentos anti-hipertensivos, como a pasta de nitroglicerina, deve ser considerado como último recurso, mas pode ser necessário se a PA sistólica permanecer em 150 mmHg ou mais após as etapas descritas acima. O objetivo de tal intervenção é aliviar os sintomas e evitar as complicações associadas à hipertensão não controlada.

Manejo Farmacológico da DA

  • Nifedipina: Bloqueador dos canais de cálcio, frequentemente utilizado para crises hipertensivas em DA.
  • Nitratos (Nitroglicerina): Relaxam a musculatura lisa vascular, causando vasodilatação.
  • Captopril: Inibidor da ECA, pode ser eficaz no manejo da DA.
  • Terazosin: Bloqueador alfa-1 adrenérgico, pode ter efeitos positivos na incontinência e na DA.
  • Prazosina: Bloqueador alfa-1 adrenérgico, pode reduzir a gravidade e a duração dos episódios de DA.
  • Fenoxibenzamina: Bloqueador alfa-adrenérgico, com resultados conflitantes na literatura.
  • Prostaglandina E2: Pode ser eficaz na redução das respostas da PA durante a eletroejaculação.
  • Sildenafil: Não demonstrou efeito sobre as alterações da PA durante episódios de DA iniciados por vibroestimulação em homens com LM.

Outras Disfunções Autonômicas

Outras disfunções autonômicas que podem ocorrer após LM incluem: termorregulação (dificuldade em regular a temperatura corporal); sudorese (aumento da sudorese); bradicardia (frequência cardíaca lenta).

“Boosting” – Disreflexia Autonômica no Esporte

No esporte para pessoas com deficiência, existe um método de aumento de desempenho conhecido como “Boosting”, que ocorre quando alguém intencionalmente causa um episódio de DA para melhorar o desempenho atlético. Atletas com LM que se auto infligem sofrimento físico para melhorar o desempenho atlético correm enormes riscos à saúde (ou seja, hipertensão, hemorragia cerebral, acidente vascular cerebral e morte súbita). O Comitê Paraolímpico Internacional considera a DA doping e proibiu seu uso. Qualquer tentativa deliberada de induzir DA, se detectada, levará à desqualificação do evento esportivo e à subsequente investigação pelo Comitê Jurídico e de Ética do IPC.

Complicações da Disreflexia Autonômica

Casos de DA podem resultar em complicações relacionadas ao SNC, CV e pulmonares, incluindo aquelas que resultam em morte.

Conclusão: Vivendo Além da DA

A Disreflexia Autonômica é um desafio, mas não uma sentença. Com informação, prevenção e ação rápida, é possível controlar a DA e viver uma vida plena e ativa após a lesão medular. Lembre-se: a vida continua, e com ela, a possibilidade de se reinventar, se adaptar e superar limites. Compartilhe este artigo, vamos juntos desmistificar a DA e empoderar quem vive com lesão medular! Conheça mais sobre a lesão medular e suas implicações em: https://alemdalesao.com.br/sobre-a-lesao-medular/

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