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As Fases de uma Lesão Medular

As Fases de uma Lesão Medular: o que muda no corpo e na alma em cada etapa

Uma lesão medular não acontece apenas na espinha. Ela acontece na pele, nos nervos, na linguagem, no tempo, no sono. Atinge o corpo inteiro e muda a vida de quem vive — e também de quem cuida.

Mas apesar da gravidade do trauma, entender as fases de uma lesão medular pode ser tão decisivo quanto o tratamento em si. Afinal, cada etapa exige um tipo de cuidado, um tipo de escuta… e principalmente, um novo tipo de presença.

Então se você é profissional de saúde, paciente ou familiar e quer compreender melhor esse processo complexo, prepare-se. Este artigo não é um resumo técnico: é quase um mapa emocional-biológico dessa jornada.

O que é isso na prática?

Quando falamos de “fases”, não estamos falando de passos mecânicos como num manual. Estamos falando de momentos fisiológicos, neurológicos e psíquicos que se sobrepõem, se confundem e demandam abordagens específicas.

Em linhas gerais, dividimos a evolução da lesão medular em quatro grandes fases:

  • Fase Aguda
  • Fase Subaguda
  • Fase de Reabilitação
  • Fase Crônica ou de Manutenção

Mas a forma como cada organismo reage depende de fatores como altura e tipo da lesão, idade, estado clínico anterior e, claro, suporte emocional.

Fase Aguda: o choque do corpo e da notícia

Imediatamente após o trauma, o sistema nervoso central entra em colapso.

  • Duração: de horas a semanas
  • Fenômeno principal: choque medular e inflamação generalizada
  • Sintomas: perda total (ou quase) da função motora e sensitiva abaixo da lesão; flacidez muscular e areflexia

Esse é o momento em que tudo desliga. O corpo desliga, os planos desligam, a rotina vira um campo de guerra silenciosa.

É também aqui que decisões cirúrgicas muitas vezes são tomadas com pressa — mas com impacto para toda a vida. E o psicológico? Em queda livre. A notícia ainda está se espalhando como um eco interno em cada célula.

Fase Subaguda: o início da reorganização

Nas semanas seguintes, algumas funções começam a dar sinais de recuperação — ou não.

  • Duração: de 2 semanas até 6 meses após o trauma
  • O que muda: o choque medular começa a regredir; os reflexos reaparecem (às vezes de forma desorganizada); inicia-se a espasticidade muscular
  • Tratamentos nessa fase: reabilitação inicial, prevenção de úlceras, infecções, apoio respiratório, suporte psicológico contínuo

É nesse momento que a ficha começa a cair para todos os lados. Os familiares percebem que não é uma recuperação linear. O paciente percebe que a realidade mudou — e começa o luto neuroemocional.

Por que essa fase é perigosa?

Porque ela parece promissora e confusa ao mesmo tempo. Pequenas melhoras podem gerar falsas esperanças; e a ausência de melhora, um desespero ainda maior. É essencial a presença de equipes interdisciplinares que cuidem do corpo, mas também do impacto subjetivo que tudo isso carrega.

Fase de Reabilitação: o corpo aprende a viver de novo

Passado o estágio mais instável, começa o real trabalho de reconstrução.

  • Duração: de 6 meses até anos depois
  • Foco: fisioterapia, terapia ocupacional, reeducação da bexiga e intestino, adaptação de rotina
  • Objetivo: retomar autonomia possível — com ou sem paraplegia, com ou sem retorno de marcha

Essa fase é onde a ferida biológica vira marca biográfica. O corpo aprende outro tempo. A alma também.

É aqui que os profissionais da reabilitação dão seu show — ajudando a criar novas formas de independência, movimento e linguagem corporal. Mas também é aqui que muita gente desiste. Porque cansa. Porque é duro. Porque nem sempre os resultados aparecem logo.

Fase Crônica: o novo normal (com tudo que vem junto)

A chamada fase de manutenção é uma eterna negociação entre o que se perdeu e o que ainda pode ser feito.

  • Duração: indefinida
  • Realidade: nem todo organismo progride muito após 1 ou 2 anos, mas as estratégias podem melhorar continuamente
  • Envolvidos: paciente, familiares, cuidadores, terapeutas, urologistas, nutricionistas, psicólogos

Essa fase exige manutenção da saúde osteomuscular, prevenção de contraturas, atenção redobrada à sexualidade, autoestima e qualidade de vida.

Sim, porque aqui as questões não são mais “vou voltar a andar?” — mas “como construo uma vida que faça sentido agora?”.

O que ninguém te contou

  • É comum que o sofrimento psíquico piore nas fases de maior autonomia (sim, parece contraditório)
  • O paciente pode viver lutos múltiplos e simultâneos: do corpo, da identidade, da ocupação, da rotina
  • Nem toda equipe clínica sabe lidar com as fases emocionais — por isso a atuação de psicólogos especializados em reabilitação é crucial
  • A lesão não divide a vida em “antes e depois”. Ela cria um “durante” que dura muito.

Como começar (a ajudar de verdade)?

Se você é familiar ou cuidador, o primeiro passo é entender que cada fase demanda um tipo de escuta. O que serve na Fase Aguda pode ser um tiro no pé na Crônica. E vice-versa.

Se é profissional, estude além da técnica. Entre em contato com experiências reais, relatos de pacientes e boas práticas de comunicação. O Blog da Elma Cordeiro sempre traz dicas práticas do dia a dia, baseadas em múltiplas realidades — e isso faz toda a diferença no cuidado.

Conclusão

Falar sobre as fases de uma lesão medular é falar sobre reorganização do corpo e da vida. Do movimento à identidade. E isso exige mais do que um plano terapêutico: exige escuta, tempo, afeto e atualização constante.

E aí, vai continuar cuidando no automático ou vai mergulhar de verdade nessa jornada de reconstrução?

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