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Compreendendo a Lesão na Medula Espinhal L5

Compreendendo a Lesão na Medula Espinhal L5

Você já se perguntou o que realmente acontece quando alguém sofre uma lesão na medula espinhal L5? Se sim, você não está sozinho. Essa é uma dúvida comum — e legítima — entre pessoas que vivem com dores lombares, debilidade nas pernas ou formigamentos estranhos que não fazem sentido à primeira vista.

Olhando de fora, parece “só mais uma vértebra”, mas o que está em jogo aqui é muito mais do que estrutura óssea. A região da L5 (quinta vértebra lombar) é como uma bifurcação crítica — um verdadeiro entroncamento entre o centro de comando do teu corpo e as engrenagens que tocam o chão: pernas, pés, tornozelos.

Por isso, entender como uma lesão nesse nível age não é apenas questão técnica. É sobre qualidade de vida, escolhas diárias e autonomia.

Uma lesão na altura da L5 pode não tirar sua capacidade de andar — mas pode te fazer tropeçar na vida de formas que você nunca pensou.

Onde fica a vértebra L5 na prática?

A coluna vertebral é dividida em cinco regiões: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. Cada uma com função diferente. A região lombar, onde está a L5, é a penúltima vértebra antes do osso sacro. Ela é responsável por sustentar boa parte do peso do corpo e permitir movimentos como flexão e rotação do tronco.

Agora, vamos ao que interessa: a L5 marca o final da medula espinhal propriamente dita, mas ali ainda passam raízes nervosas fundamentais — especialmente do nervo lombossacral — que descem e comandam membros inferiores.

“Mas espera aí… a medula termina na L1. Como a L5 pode estar ligada à medula espinhal?”

Excelente ponto. De fato, a medula espinhal termina por volta da vértebra L1. O que desce dali para frente é uma estrutura conhecida como cauda equina: um feixe de nervos que ainda transportam comandos motores e sensitivos para baixo do corpo.

Portanto, embora tecnicamente a medula não esteja ali, uma lesão na área da L5 ainda é considerada uma lesão medular baixa, pois compromete as vias neurológicas ligadas à medula — e os efeitos disso são bastante concretos.

Então se você achou que uma lesão em L5 seria “leve” ou “menos agressiva”, pense de novo.

O que uma Lesão Medular em L5 pode causar?

As lesões na altura da L5 são classificadas como lesões medulares incompletas baixas. Isso significa que normalmente não causam tetraplegia ou paraplegia completa, mas sim déficits neurológicos mais localizados que podem, mesmo assim, trazer muito incômodo.

  • Fraqueza motora em membros inferiores, especialmente nos músculos responsáveis por levantar o pé e movimentar o tornozelo (músculos dorsiflexores)
  • Marcha claudicante, arrastada ou com tropeços frequentes
  • Dor irradiada que desce para a perna, muitas vezes acompanhada de queimação ou dormência (ciatalgia)
  • Alterações sensoriais em áreas como a parte lateral da perna e parte superior do pé
  • Função intestinal e vesical comprometida (em casos mais graves)

Essa lesão também pode trazer dificuldade para executar tarefas simples: subir uma escada, correr atrás de um ônibus, ou até mesmo controlar bem o equilíbrio em pé.

Impacto funcional: nem sempre visível, mas definitivamente real

O curioso — e às vezes cruel — é que os efeitos de uma lesão L5 muitas vezes não são “visíveis” para quem está de fora. A pessoa continua andando, mas tropeça o tempo inteiro. Sente a perna “pesada”. Não consegue correr. E isso afeta não só o corpo, mas a autoestima e as relações sociais.

Você caminha… mas não corre. Você sente… mas não com precisão. E no espelho da sociedade, você “não tem nada”.

E é aí que a corrida pela reabilitação começa. Não apenas para restaurar o máximo da função motora, mas também para entender os próprios limites e fazer adaptações inteligentes.

Diagnóstico: não confie apenas na ressonância

Agora chegou a parte espinhosa da conversa. Porque se tem algo que aprendemos nos anos de estudo e convivência com lesões medulares é o seguinte:

Imagens podem te enganar, mas o corpo não mente.

Ou seja: você pode ter uma ressonância mostrando compressão em L5, mas não apresentar nenhum sintoma. E também pode ter sintomas nítidos mesmo com exames “normais”.

Por isso, o diagnóstico clínico funcional é rei. O que vale é o que a pessoa sente, faz, relata e demonstra. É por isso que o acompanhamento com uma equipe multiprofissional experiente é indispensável — fisiatra, neurologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, educador físico. Todos olhando o mesmo quebra-cabeça.

Reabilitação em lesões L5: o que funciona de verdade

Não existe “remédio mágico”. Existe trabalho contínuo, exercícios específicos e, principalmente, uma leitura detalhada do corpo. A chave está em:

  1. Mapear os déficits específicos de força, sensibilidade e reflexos
  2. Aplicar treino motor guiado por especialistas
  3. Investir em estratégias compensatórias inteligentes, como órteses se necessário
  4. Desenvolver a autonomia e prevenir novas lesões

Quer ir mais fundo? Visite a seção Evidências e tenha acesso a estudos médicos reais sobre neurorreabilitação após lesões medulares lombares.

Quem deve se preocupar com uma lesão em L5?

Além de quem já sofreu um trauma direto na coluna (acidente, queda, cirurgia mal-sucedida), atletas com sobrecarga lombar, pessoas com hérnias de disco, estenose do canal vertebral ou espondilolistese também estão no radar de risco.

Ah, e vale lembrar: nem toda dor lombar é uma lesão medular. Mas toda dor ignorada pode virar uma.

Conclusão: L5 não é só um número. É um ponto de virada.

Uma lesão na medula espinhal na altura da L5 pode parecer “leve” no papel, mas traz efeitos profundos no mover, no sentir e no viver. Os sintomas são desafiadores, mas com informação correta, apoio técnico e acompanhamento responsável, é possível recuperar muito — e até reescrever o futuro funcional do corpo.

A jornada não é só médica. É pessoal, física, emocional. E por isso precisa ser tratada com seriedade — e também com humanidade.

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Autor: Orlei Barbosa — Engenheiro e Auditor, estudioso do tema, tetraplégico desde 2017, compartilhando experiência empírica, realista e técnica.

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